Página 9.
(...) o deputado Duarte de Azevedo, falando em nome da Comissão, afirmou que esta estava convencida que era impossível retardar por um só momento " a longa aspiração do povo brasileiro no sentido de satisfazer uma necessidade social e política" (...)
Página 10.
(...) a Câmara, dispensando as formalidades habituais, conseguiu, em prazo recorde, pôr a proposta em votação. Oitenta e três deputados votaram favoravelmente ao projeto. Apenas nove votaram contra. Eram todos membros do Partido Conservador (...) Os Fazendeiros de café das áreas decadentes do Vale do Paraíba expressaram assim, por intermédio de seus representantes na Câmara, sua oposição à lei que viria dar um golpe em suas fortunas já abaladas (...)
(...) Imbuídos do mesmo senso de urgência, os senadores aprovaram-no a 13 de maio, encaminhando-o à Regente princesa Isabel. Na tarde do mesmo dia, a princesa assinava a lei que ficou conhecida na história do Brasil sob designação de Lei Áurea. (...)
(...) Mais de 700 mil escravos, em sua maioria localizados nas províncias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, foram assim, do dia para a noite, transformados em homens livres. (...)
Página 12.
(...) O Brasil era o último país do mundo ocidental a eliminar a escravidão! (...) Os ex-escravos foram abandonados à sua própria sorte. (...) Se a lei lhes garantia o status jurídico de homens livres, ela não lhes fornecia os meios para tornar sua liberdade efetiva. A igualdade jurídica não era suficiente para eliminar as enormes distâncias sociais e os preconceitos que mais de trezentos anos de cativeiros haviam criado. (...)
(...) Se a lei lhes garantiam o status jurídico de homens livres, ela não lhes fornecia os meios para tornar sua liberdade efetiva. A igualdade jurídica não era suficiente para eliminar as enormes distâncias sociais e os preconceitos que mais de trezentos anos de cativeiro haviam criado. (...)
Página 13.
(...) a escravidão foi praticada e aceita sem que as classes dominantes questionassem a legitimidade do cativeiro. Muitos chegavam a justificar a escravidão, argumentando que graças a ela negros eram retirados da ignorância em que viviam e convertidos ao cristianismo.
(...) Acreditava-se que era a vontade de Deus que alguns nascessem nobres, outros, vilões, uns ricos, outros pobres, uns livres, outros, escravos. De acordo com essa teoria, não cabia aos homens modificar a ordem social (...)
(...) Não é difícil imaginar os efeitos dessas idéias. Elas permitiam às classes dominantes escravizar os negros sem problemas de consciência. Os poucos indivíduos que no Período Colonial, fugindo à regra, questionaram o tráfico de escravos (...)
Página 14.
(...) No pensamento revolucionário do século XVIII encontram-se as origens teóricas do abolicionismo. Até então a escravidão fora vista como fruto dos desígnios divinos; agora ela passaria a ser vista como criação de vontade dos homens, portanto transitória e revogável. (...)
(...) Passou-se a criticar a escravidão em nome da moral, da religião e da racionalidade econômica. Descobriu-se que o cristianismo era incompatível com a escravidão; o trabalho escravo, menos produtivo que o livre; e a escravidão uma instituição corruptora da moral e dos costumes. (...)
Página 15.
(...) Muito cedo os escravos e os negros livres perceberam o significado revolucionário das novas idéias. Muito cedo também, os senhores de escravos deram-se conta do dilema que a prática revolucionária criava (...)
Página 16.
(...) Se bem que a Carta de Constituição de 1824 incluía um artigo transcrevendo a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (cópia quase idêntica à original francesa de 1789), na qual se afirmava que a liberdade era um direito inalienável do homem, manteve-se quase a metade da população brasileira. (...)
(...) A questão que se apresentaria a partir daí era como justificar a escravidão em uma sociedade que aceitavam os novos princípios liberais. (...)
Página 17.
(...) Os poucos indivíduos da classe dominante que, na época da Independência e nos anos que se seguiram, divergiam do tom predominante e condenaram a escravidão, não eram típicos da elite brasileira. (...)
(...) Não é de se estranhar, pois, que já em 1811 escrevesse que a escravidão era contrária às leis da natureza e às disposições morais dos homens, e recomendasse a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre. (...)
(...) Sua crítica à escravidão, não era, no entanto, apenas fruto desses receios. Ela nascia, sobretudo, da convicção - característica do pensamento burguês europeu- de que o trabalho escravo produzia rendimentos inferiores ao do trabalho livre e inibia o desenvolvimento das indústrias. Essa opinião não era endossada pela maioria dos proprietários de escravos dessa época. (...)
Página 18.
(...) Na opinião de José Bonifácio , a escravidão era uma instituição nefasta, corruptora da moral e dos costumes e inibidora do progresso do país. José Bonifácio, não era um representante típico das classes dominantes. (...)
(...) José Bonifácio logo se tornou confidente e conselheiro do príncipe D. Pedro e teve importante papel na proclamação da Independência. (...)
(...) Irritados com suas idéias, que lhes pareciam muito radicais, os proprietários e os traficantes de escravos tudo fizeram para afastá-lo do poder. (...)
Página 19.
(...) Ambos argumentavam que, para que a abolição pudesse ser decretada, era preciso primeiro, tomar medidas que facilitassem a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. (...)
(...) os princípios liberais que tinham inspirado a Constituição e o sistema escravista, condenavam o trabalho escravo por ser menos produtivo que o livre e denunciavam os efeitos desmoralizantes da escravidão sobre a moral e os costumes, a maioria da população continuava a ignorar esses argumentos e se opunha a qualquer medida que visasse a cessação do tráfico ou à extinção gradual da escravatura. (...)
(...) Dizia-se que a escravidão era benéfica o negro, pois que o retirava da barbárie em que vivia para introduzi-lo no mundo cristão e civilizado. Afirmava-se que o negro não era capaz de viver em liberdade (...)
(...) A abolição da escravatura, diziam eles, seria a ruína do país (...)
Página 20.
(...) A leitura dos numerosos pasquinas que circulavam nessa época revela que as críticas à escravidão, ao tráfico de escravos e aos preconceitos raciais eram frequentes. (...) minha nota: A revolução de 1848 ou Revolução Praiera em Pernambuco manifestam essas críticas.
(...) Os pasquins são expressão das lutas de classe e de raças, que, nos aos que se seguiram à Independência, com frequência se traduzem em ataques às elites e ao governo. (...) Alguns menos afortunados acabaram sendo condenados à morte por seu envolvimento em movimentos revolucionários. Tal foi o caso do famoso Frei Caneca. (...)
Página 21.
(...) O movimento áureo desses panfletários foi a Regência, quando as contradições de classe afloraram em ma série de revoltas e a luta pelo poder se aguçou. A voz dos Jacobinos se fez ouvir durante os numerosos levantes desse período. Os pasquins estão cheios de ataques ao latifúndio improdutivo, críticas à escravidão, propostas de emancipação dos escravos, denúncia de preconceitos raciais, ataques aos estrangeiros que invadiam os mercados brasileiros, controlavam o comércio e destruíam o artesanato local (...)
Página 22.
(...) As revoltas populares dos anos de 1830 e 1840 assustaram as elites que se tornaram ainda mais conservadoras. Balaios, cabanos, farrapos, praieiros e todos os demais que ousaram desafiar a hegemonia das elites foram silenciados. (...) Prosperidade e estabilidade, entretanto, continuavam a depender do trabalho escravo. A elite continuava apegada a escravidão. (...)
Página 23.
(...) é possível calcular que, em um total de pouco mais de 3,5 milhões de habitantes, havia cerca de 1,5 milhão de escravos. Concentravam-se nas zonas açucareiras no Nordeste (54%) e nas antigas zonas de mineração (20%) (...)
(...) Nas grandes plantações e nas roças, nas cidades e nos campos, os escravos constituíam a principal força de trabalho. Vendedores, artesões carregadores, empregados domésticos, carreiros, na sua maioria escravos, percorriam as ruas das cidades em sua incessante labuta. (...)
(...) Os viajantes que percorreram o Brasil na época são unânimes em afirmar que o mais humilde dos homens, assim que dispunha de algum capital, comprava um escravo e passava a viver à custa do trabalho dele. Possuir escravos era o ideal da grande maioria da população (...)
Página 24.
(...) Foram pressões internacionais que levaram finalmente à aprovação da Lei de 1831, que proibiu o tráfico de escravos. A pressão veio da Inglaterra que, depois que o Parlamento inglês abolira o tráfico de escravos em suas colônias (1807), tornou-se a paladina da emancipação e passou a perseguir os negreiros no mar. (...)
(...) A partir da independência, o Brasil tinha-se tornado dependência econômica em relação à Inglaterra. Essa dependência estava na transferência da Corte da corte portuguesa para o Brasil em 1808.
(...) O artesanato brasileiro sofria a concorrência das manufaturas inglesas e a presença de produtos ingleses no mercado brasileiro impedia o desenvolvimento de uma indústria sólida. (...) minha nota: Brasil dependente da Inglaterra
(...) Com tudo isso a Inglaterra adquiriu uma posição que exercer uma grande pressão sobre o governo brasileiro. (...)
(...) Em 1826, por ocasião da renovação dos tratados comerciais, a Inglaterra conseguiu impor ao governo brasileiro uma cláusula pela qual este se comprometia a decretar a abolição do tráfico dentro de três anos a partir da retificação do tratado. (...)
(...) Se a lei lhes garantiam o status jurídico de homens livres, ela não lhes fornecia os meios para tornar sua liberdade efetiva. A igualdade jurídica não era suficiente para eliminar as enormes distâncias sociais e os preconceitos que mais de trezentos anos de cativeiro haviam criado. (...)
Página 13.
(...) a escravidão foi praticada e aceita sem que as classes dominantes questionassem a legitimidade do cativeiro. Muitos chegavam a justificar a escravidão, argumentando que graças a ela negros eram retirados da ignorância em que viviam e convertidos ao cristianismo.
(...) Acreditava-se que era a vontade de Deus que alguns nascessem nobres, outros, vilões, uns ricos, outros pobres, uns livres, outros, escravos. De acordo com essa teoria, não cabia aos homens modificar a ordem social (...)
(...) Não é difícil imaginar os efeitos dessas idéias. Elas permitiam às classes dominantes escravizar os negros sem problemas de consciência. Os poucos indivíduos que no Período Colonial, fugindo à regra, questionaram o tráfico de escravos (...)
Página 14.
(...) No pensamento revolucionário do século XVIII encontram-se as origens teóricas do abolicionismo. Até então a escravidão fora vista como fruto dos desígnios divinos; agora ela passaria a ser vista como criação de vontade dos homens, portanto transitória e revogável. (...)
(...) Passou-se a criticar a escravidão em nome da moral, da religião e da racionalidade econômica. Descobriu-se que o cristianismo era incompatível com a escravidão; o trabalho escravo, menos produtivo que o livre; e a escravidão uma instituição corruptora da moral e dos costumes. (...)
Página 15.
(...) Muito cedo os escravos e os negros livres perceberam o significado revolucionário das novas idéias. Muito cedo também, os senhores de escravos deram-se conta do dilema que a prática revolucionária criava (...)
Página 16.
(...) Se bem que a Carta de Constituição de 1824 incluía um artigo transcrevendo a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão (cópia quase idêntica à original francesa de 1789), na qual se afirmava que a liberdade era um direito inalienável do homem, manteve-se quase a metade da população brasileira. (...)
(...) A questão que se apresentaria a partir daí era como justificar a escravidão em uma sociedade que aceitavam os novos princípios liberais. (...)
Página 17.
(...) Os poucos indivíduos da classe dominante que, na época da Independência e nos anos que se seguiram, divergiam do tom predominante e condenaram a escravidão, não eram típicos da elite brasileira. (...)
(...) Não é de se estranhar, pois, que já em 1811 escrevesse que a escravidão era contrária às leis da natureza e às disposições morais dos homens, e recomendasse a substituição do trabalho escravo pelo trabalho livre. (...)
(...) Sua crítica à escravidão, não era, no entanto, apenas fruto desses receios. Ela nascia, sobretudo, da convicção - característica do pensamento burguês europeu- de que o trabalho escravo produzia rendimentos inferiores ao do trabalho livre e inibia o desenvolvimento das indústrias. Essa opinião não era endossada pela maioria dos proprietários de escravos dessa época. (...)
Página 18.
(...) Na opinião de José Bonifácio , a escravidão era uma instituição nefasta, corruptora da moral e dos costumes e inibidora do progresso do país. José Bonifácio, não era um representante típico das classes dominantes. (...)
(...) José Bonifácio logo se tornou confidente e conselheiro do príncipe D. Pedro e teve importante papel na proclamação da Independência. (...)
(...) Irritados com suas idéias, que lhes pareciam muito radicais, os proprietários e os traficantes de escravos tudo fizeram para afastá-lo do poder. (...)
Página 19.
(...) Ambos argumentavam que, para que a abolição pudesse ser decretada, era preciso primeiro, tomar medidas que facilitassem a transição do trabalho escravo para o trabalho livre. (...)
(...) os princípios liberais que tinham inspirado a Constituição e o sistema escravista, condenavam o trabalho escravo por ser menos produtivo que o livre e denunciavam os efeitos desmoralizantes da escravidão sobre a moral e os costumes, a maioria da população continuava a ignorar esses argumentos e se opunha a qualquer medida que visasse a cessação do tráfico ou à extinção gradual da escravatura. (...)
(...) Dizia-se que a escravidão era benéfica o negro, pois que o retirava da barbárie em que vivia para introduzi-lo no mundo cristão e civilizado. Afirmava-se que o negro não era capaz de viver em liberdade (...)
(...) A abolição da escravatura, diziam eles, seria a ruína do país (...)
Página 20.
(...) A leitura dos numerosos pasquinas que circulavam nessa época revela que as críticas à escravidão, ao tráfico de escravos e aos preconceitos raciais eram frequentes. (...) minha nota: A revolução de 1848 ou Revolução Praiera em Pernambuco manifestam essas críticas.
(...) Os pasquins são expressão das lutas de classe e de raças, que, nos aos que se seguiram à Independência, com frequência se traduzem em ataques às elites e ao governo. (...) Alguns menos afortunados acabaram sendo condenados à morte por seu envolvimento em movimentos revolucionários. Tal foi o caso do famoso Frei Caneca. (...)
Página 21.
(...) O movimento áureo desses panfletários foi a Regência, quando as contradições de classe afloraram em ma série de revoltas e a luta pelo poder se aguçou. A voz dos Jacobinos se fez ouvir durante os numerosos levantes desse período. Os pasquins estão cheios de ataques ao latifúndio improdutivo, críticas à escravidão, propostas de emancipação dos escravos, denúncia de preconceitos raciais, ataques aos estrangeiros que invadiam os mercados brasileiros, controlavam o comércio e destruíam o artesanato local (...)
Página 22.
(...) As revoltas populares dos anos de 1830 e 1840 assustaram as elites que se tornaram ainda mais conservadoras. Balaios, cabanos, farrapos, praieiros e todos os demais que ousaram desafiar a hegemonia das elites foram silenciados. (...) Prosperidade e estabilidade, entretanto, continuavam a depender do trabalho escravo. A elite continuava apegada a escravidão. (...)
Página 23.
(...) é possível calcular que, em um total de pouco mais de 3,5 milhões de habitantes, havia cerca de 1,5 milhão de escravos. Concentravam-se nas zonas açucareiras no Nordeste (54%) e nas antigas zonas de mineração (20%) (...)
(...) Nas grandes plantações e nas roças, nas cidades e nos campos, os escravos constituíam a principal força de trabalho. Vendedores, artesões carregadores, empregados domésticos, carreiros, na sua maioria escravos, percorriam as ruas das cidades em sua incessante labuta. (...)
(...) Os viajantes que percorreram o Brasil na época são unânimes em afirmar que o mais humilde dos homens, assim que dispunha de algum capital, comprava um escravo e passava a viver à custa do trabalho dele. Possuir escravos era o ideal da grande maioria da população (...)
Página 24.
(...) Foram pressões internacionais que levaram finalmente à aprovação da Lei de 1831, que proibiu o tráfico de escravos. A pressão veio da Inglaterra que, depois que o Parlamento inglês abolira o tráfico de escravos em suas colônias (1807), tornou-se a paladina da emancipação e passou a perseguir os negreiros no mar. (...)
(...) A partir da independência, o Brasil tinha-se tornado dependência econômica em relação à Inglaterra. Essa dependência estava na transferência da Corte da corte portuguesa para o Brasil em 1808.
(...) O artesanato brasileiro sofria a concorrência das manufaturas inglesas e a presença de produtos ingleses no mercado brasileiro impedia o desenvolvimento de uma indústria sólida. (...) minha nota: Brasil dependente da Inglaterra
(...) Com tudo isso a Inglaterra adquiriu uma posição que exercer uma grande pressão sobre o governo brasileiro. (...)
(...) Em 1826, por ocasião da renovação dos tratados comerciais, a Inglaterra conseguiu impor ao governo brasileiro uma cláusula pela qual este se comprometia a decretar a abolição do tráfico dentro de três anos a partir da retificação do tratado. (...)


